365 dias na fossa social.
- César Froes

- 13 de mai. de 2019
- 3 min de leitura

Ah, 2018... o que dizer desse ano maluco em que eu decidi tomar a decisão que ia mudar minha vida.
A virada do ano de 2018 pareceu pra mim um vulcão em atividade prestes a explodir. E realmente muita coisa aconteceu num curto período de tempo na minha vida e no resto do mundo.
Eu decidi focar minhas energias de volta aos meus estudos de desenho, fui demitido do meu emprego, viajei para vários lugares, comprei equipamento de tatuagem e meu notebook que uso hoje pra fazer ilustração digital.
Enquanto isso a Copa foi uma humilhação, as eleições dividiram o país, as Coreias fizeram as pazes, o Reino Unido saiu da União Europeia entre outras notícias na avalanche de informação que desceu sem trégua nas nossas vidas.
Talvez tenha sido só uma boa desculpa, mas encaixou perfeitamente num momento da minha vida que eu precisava de dar um passo pra trás no meu estilo de vida e tentar entender melhor o que queria pra mim mesmo profissionalmente, pessoalmente e ainda botar em prática várias ideias que eu tinha na gaveta.
E se você leu meu primeiro artigo nesse blog sabe que logo em janeiro eu descrevi minha situação usando essas palavras:
"(...) tenha em mente que minha situação financeira é vergonhosa à quase 365 dias.
O que pareceu ser um sinal de desespero disfarçado de piada, era na verdade...
.... bom, era um sinal de desespero sim, mas não exatamente financeiro.
O que houve foi uma separação em massa das amizades e familiares dentro e fora das redes sociais.
Não era minha intenção ser inundado com notícias todos os dias, mas como todos sabem, as redes sociais aprimoraram os algorítimos e formaram "bolhas de informação". E dia após dia eu me sentia afogado e carregado por essa correnteza.
Por causa disso eu tive que me virar pra manter a cabeça no lugar, e não foi exatamente fácil.
Talvez a ideia era essa mesma, gerar uma repercussão com assuntos controversos e ver o circo pegar fogo. Enquanto que uma parcela do pessoal encarava isso como uma forma de humor, outros levantaram a bandeira com um orgulho só visto antes em clubes de torcedores de futebol.
Isso logo virou uma bola de neve e em pouco tempo não havia mais distinção entre esses dois grupos. Os sinais eram claros e o complexo de inferioridade trouxe a tona o pior das pessoas.
Graças a política, não consigo ver mais antigos colegas de serviço da mesma forma, e agora também graças a minha situação financeira, não consigo ver as amizades também. E assim o isolamento começou. Procurei fortalecer amizades que passaram pelos testes das eleições e manter familiares mais próximos. Os passeios do fim de semana não são mais naquela pizzaria na região nobre da cidade, são no máximo uma pipoca com suco de saquinho lá em casa.
Pra algumas pessoas, essa mudança foi motivo pra afastar e até me tratar mal. Outras nem perceberam.
Não posso dizer que todo o processo fez muito bem ou muito mal, afinal eu ainda estou no meio dele. Houveram momentos de alívio e outros de profunda tristeza. Mas já adianto que minha percepção certamente ficou mais apurada, minha paciência mais curta e meu tempo mais valioso.
Agora que estamos quase na metade de 2019, não consigo fazer sequer uma previsão pro próximo mês em quase nenhum aspecto. Só sei que vou continuar desenhando, escrevendo e continuar a escutar músicas novas e estilos diferentes. Isso vai acontecer sem dúvidas.



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