A febre saudosista do futuro retrô
- César Froes

- 26 de nov. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de jul. de 2020

Se você viu as notícias, viu os trendings das redes sociais ou só as páginas de memes, você provavelmente viu a nova invenção de Elon Musk.
Em um movimento estratégico quase perfeito, o CEO da Tesla Motors apresentou o veículo utilitário blindado 100% elétrico retrô futurista e conseguiu a atenção de todas as mídias em um período de tempo suficiente pra vender reservas de mais de 200 mil unidades.
Conforme o próprio CEO afirmou no Twitter, foram 200 mil encomendas até o dia 24.
As reservas são feitas pelo site oficial da Tesla pelo valor de $100 e o preço da Cybertruck começa em $39.900 dólares e chegam até $79.900 e agora opcional o sistema de direção autônoma de R$ 7.000. Mas o que essa gente rica tem na cabeça pra encomendar essa caminhonete inspirada em Blade Runner e renderizada com baixa contagem poligonal num Playstation 1 em 1998?
Eu sou um cara que curte caminhonetes e tive tempo suficiente pra entender esse 'hype'.
Tive por anos uma Dodge Dakota cabine dupla e dividi minha infância entre as Chevrolet D20 e Ford F1000.
Sou fascinado com modelos como a poderosa RAM Str10, GMC Syclone, Chevrolet 454 SS e até a icônica 1989 Dakota Sport Convertible (usada no desenho acima). Modelos que são uma comemoração do exagero e alegoria a subversão da utilidade.
Afinal, o que é uma caminhonete sem sua utilidade real? Caminhonetes são acima de tudo ferramentas, afinal. Essas maquinas citadas acima são tudo, menos úteis.
Mas pra chegar a esse nível, existiram largos degraus de produção em massa dos modelos que inspiraram essas máquinas velozes e extravagantes.
A Dodge Power Wagon evoluiu 55 anos pra se transformar na RAM Str10 e a Chevrolet/GMC S10 precisou de uma média de 150 mil unidades vendidas por ano nos EUA pra ser esculpido na Syclone.
Uma caminhonete precisa ser uma ferramenta forte, durável e confiável. A mecânica robusta precisa garantir que ela não vai te deixar na mão quando for levar toneladas na caçamba no terreno inexplorado.
E é exatamente essa fatia de mercado que o visionário sul-africano quer tomar.
Ele quer competir com as grandes montadoras pra mostrar que a seu eletrodoméstico elétrico pode brincar de fazendinha feliz na vida real, fora da imaginação dos designers futuristas de filmes, animes e quadrinhos.
E nada melhor que um bom e velho cabo de guerra entre a Cybertruck e a sua futura concorrente Ford F-150 pra mostrar que ela é capaz.
Não vou detalhar muito as especificações técnicas, mas é importante citar que como uma ferramenta de trabalho, a nova Cybertruck é capaz de rebocar mais peso e tem maior volume na caçamba que a concorrente.
A cereja do bolo é a capacidade de rodar mais de 500 milhas numa única carga da bateria interna. Isso significa que depois de carregada, a Cybertruck pode viajar mais de 800Km até encontrar a próxima "tomada".
Claro, imaginar como seria administrar o abastecimento dessa bateria em países como Brasil, que não tem o vasto sistema de carregamento rápido nas ruas como EUA e Canadá é desanimador, mas longe de impossível. Afinal, eu garanto que a maioria das pessoas não chega perto de rodar 800Km de distância por dia. Não custa nada deixar sua imensa caminhonete blindada carregando a bateria na garagem durante a noite.
Se o público que usa caminhonetes não via motivos pra comprar uma nova convencional, agora tem de sobra pra pensar numa elétrica. E o público que não se interessa em caminhonetes, agora está de olho no veículo elétrico com maior autonomia já criado.
A existência da Cybertruck é um marco na história dos veículos elétricos. O que antes era considerado um carrinho de golfe desajeitado, agora é um blindado gigante que toca MP3 com conforto extra. E quem tem $39.000 no bolso está ansioso pra fazer parte da história. Confesso que a ideia é empolgante e ver a mudança radical na industria automotiva em tempo real, me faz sentir o privilégio de viver na era da informação. Agora em um twitte, o que Lushsux pensa sobre a novidade?



Comentários