Cancelando entretenimento positivo e enaltecendo cultura criminal
- César Froes

- 27 de abr. de 2019
- 3 min de leitura
Eu já discuti esse assunto com tanta gente que tinha certeza que já tinha escrito algum artigo aqui sobre isso. Felizmente (ou infelizmente) eu percebi que não, então eu me preparo para o apedrejamento digital desde já.
Pra quem não faz ideia do que eu estou falando, é sobre o rapper Jahseh Dwayne, mais conhecido como XXXTENTACION e o que eu penso sobre sua controversa história de violência e depressão.
Não é difícil perceber que X (como é tratado na internet) tem uma conexão íntima com a violência, afinal esfaquear alguém aos 6 anos não é pra qualquer um. E isso se expressa muito bem na sua música que consegue projetar com facilidade sentimentos de profunda tristeza e explosões de ódio, as vezes total desconexão com a realidade.
E agora eu me sinto mais a vontade de falar sobre esse artista por que estou me distanciando da cultura do "cancela", afinal, X foi assassinado em 2018 aos 20 anos. O que restou foram as músicas a história e a eterna briga na internet.
Essa briga inclusive foi impulsionada pelo movimento recente do "bandido bom é bandido morto" que foi extremamente banalizado ao longo da ultima década e até socialmente aceito.
Outros artistas no ramo até alegam que sua morte foi merecida em troco do mal que ele causou.
Por outro lado o próprio X tentava ajudar outras pessoas pela sua música, pela letra (que dava visibilidade a depressão), pela representatividade (de músicos que buscam crescer na carreira usando a internet) e com shows beneficentes.
Desde que ele morreu, eu tenho questionado todo e qualquer julgamento. Não por passar pano em maldade, mas no caso da arte, até onde eu deveria ignorar o trabalho dele (no qual posso me identificar e me acolher) em prol da sua história absurdas de agressões e ameaças enquanto vivo.
Foi pensando nisso que decidi escutar as músicas dele. Afinal, tem muitos músicos vivos que estão aí passando longe da cultura do "cancela" e estão mergulhados até a testa em acusações de violência doméstica, estupro e outros crimes.
Eu fui surpreso por músicas incríveis!
No estilo já popular conhecido carinhosamente como "Emo Rap" os álbuns "17" e "?" tem uma forma satisfatória de expressar sentimentos e as radicais mudanças de humor moldam as transições de forma bem original, fugindo dos padrões do e do Trap como conhecemos Numetal mas mantendo claras referencias a eles.
A algumas semanas eu decidi por fazer uma fanart
E eu estava pensando ainda no filme maravilhoso que foi "Homem-aranha no aranhaverso". E claro, me peguei imaginando quem ele seria nesse universo de vilões, heróis e super poderes.
Eu fazia o desenho enquanto conversava com alguns amigos e acabei chegando em duas conclusões interessantes:

A primeira é óbvia, com a depressão e tendencia violenta fazem par perfeito com o simbionte Venom!
Afinal ele é focado, estratégico e ao contrário do Carnificina, seu talento e dependência de afeto humano podem fazer dele um anti-herói em certas ocasiões.
Sem dúvidas ia ser uma história divertida, tão quanto o recente filme da Fox.
A segunda foi uma certamente impopular... Imaginei uma variação do universo em que ao invés do Peter Parker, Miles Morales ou a Gwen Stacy, o próprio X seria picado pela aranha radioativa.

Vestindo o uniforme preto do Miles, ele teria a chance de provar o que tentava dizer nas suas músicas.
Seria talvez uma pessoa que esteve no fundo do poço e experimentou o pior que a humanidade tem a oferecer poderia ser capaz de usar super poderes pra trazer o que tem de melhor nas pessoas de Nova Iorque (ou talvez de Miami) sendo o amigo da vizinhança?
Uma pena que talvez nunca vou ler uma versão oficial dessa história.
A não ser que eu mesmo faça uma... o que acham?



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