Imprimindo dinheiro com papel virtual
- César Froes

- 5 de abr. de 2019
- 3 min de leitura
Se você já entrou em algum site de notícia
assistiu algum vídeo longo no Youtube ou baixou qualquer jogo grátis no smartphone deve saber que existe algo em comum entre eles.
Eles estão cheios de propaganda.
Nada mais justo, afinal desde o início dos tempos as mídias são financiadas por anunciantes interessados em colocar seu produto no mercado.
Na TV são chamados de "intervalos comerciais" e quanto maior a audiência do programa, mais caro custa anunciar nesse espaço. Contratos milionários são feitos e rios de dinheiro são despejados todos os dias, mas principalmente em grandes eventos.
E é assim que funciona o Youtube também, canais com bastante visualizações são perfeitos para anunciantes fazerem aquela propaganda e ainda ajudam a financiar o conteúdo do seu canal favorito.
Existem inclusive canais que fazem conteúdo baseado nessa monetização de anunciantes.
Nesse jogo que envolve dinheiro do mundo real, Mr.Beast exagera na hora de quebrar recordes.
Em sua entrevista com Casey Neistat ele conta que até recente, 100% do dinheiro que ele recebe dos anunciantes em seus vídeos é convertido na produção dos vídeos.
Os vídeos tem edição simples e os números sempre assustam.
E é incrível pensar que todo esse dinheiro circula apenas dos anúncios em seus videos no Youtube. Eu mesmo teria comprado meu carro dos sonhos e me mudado pra alguma casa na serra.
Maneiro esse gringo aí, mas e quando propaganda demais atrapalha?
Eu não preciso nem de citar exemplos, você leitor já se irritou com aquele programa na TV que tem mais intervalos comerciais do que conteúdo. Ou com aquele canal que o volume dos comerciais é consideravelmente superior dos programas.
Esse comportamento se repete na internet. Vídeos de culinária, tutoriais, notícias e outros tipos fica irritante ser obrigado a pular os anúncios constantemente (já que alguns deles parecem não tem fim). Ficar sabendo da fofoca mais recente ou de uma receita inovadora acaba virando uma dor de cabeça.
Vamos falar daquele jogo que você fez download no celular achando que ia se divertir por horas e desinstalou depois da quinta propaganda durante o tutorial? Meu sangue ferve só de lembrar!
A coisa fica interessante quando partimos pras revistas.
Durante a transição das revistas e jornais impressos pra virtuais muitos recursos foram explorados, alguns bem criativos e outros simplesmente irritantes.
É possível acompanhar jornais famosos em redes sociais e comentar nas matérias, dessa forma o público tem uma relação mais direta com os editores e cria um vínculo que pode ser muito saudável.
Em plataformas como o Twitter do qual existe limites de caracteres por postagem, jornais transformam comentários em manchetes estratégicas.
No caso de sites dedicados, o espaço na tela é dividido com propagandas, tudo na tela é montado meticulosamente pra caber informação suficiente com aquela propaganda que você está cansado de ver.
Alguns sites de notícia conseguem exagerar sem remorso colocando vídeos por cima do texto ou até mesmo na página inicial. Você começa a ler a matéria e é interrompido com o carro do ano, várias vezes!
Alguns são tão carregados que eu simplesmente desisto de ler a matéria. As vezes por clicar acidentalmente no comercial na tentativa de fecha-lo.
Mas nem tudo é feito de exageros.
Existem revistas virtuais que ainda prezam pela "suavidade" na leitura e incluem sistema de assinantes.
Um bom exemplo disso é o Flatout que produz excelentes matérias e vídeos sobre o mundo automotivo. É claro que diferente dos seus irmãos mais velhos, o Flatout nasceu online e seus criadores estão preparados pra arriscar num modelo de monetização que desenvolve uma relação saudável com seus leitores assinantes ou não.
As assinaturas tem diversos planos que incluem do básico (acesso irrestrito a todo conteúdo) até camisetas, adesivos e emblemas personalizados!
Observar a evolução da monetização, o nascimento da carreira de "influencers" e como as mídias estão se adaptando é divertido. Analisando com calma, podemos contemplar a guerra das mídias em tempo real e como ela polariza opiniões dentro e fora da internet.
Mas isso já é assunto pra outro artigo.





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