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Marionetistas do sentimento alheio

  • Foto do escritor: César Froes
    César Froes
  • 20 de abr. de 2019
  • 3 min de leitura


Mais uma vez, estava tranquilo sentado no sofá, olhando pra essa página em branco e escutando algumas das músicas excelentes da banda Yellow Days e pensando: "Sobre o que raios eu vou escrever aqui? O que está encrostado nas estalactites da minha cabeça que possa ser refinado e transformado em um texto interessante?"


E uma amiga sugeriu: "Já viu a tradução dela? Pode ser um tema"

No mesmo instante eu fiquei pensando em como essa música me afeta emocionalmente mesmo que eu nunca tenha me dedicado atenção o suficiente na letra pra entender do que se trata. Eu percebi que ele podia estar falando sobre como estava triste por não ter capturado algum Pokémon num jogo de Gameboy e eu nunca ia perceber. Claro, não se tratava de um Pokémon, mas qualquer pessoa interpretaria como uma música sobre amor ou a falta dele. Da mesma forma, milhares de músicas internacionais despertam fortes emoções mesmo não sendo cantada na língua do ouvinte.


Gostos musicais realmente dividem as pessoas, afinal eu conheço algumas que se entregam totalmente a letras que falam tão diretamente das emoções que parecem não deixar margem a interpretação e criatividade do ouvinte. Enquanto outras precisam de apenas um acorde pra preencher a mente com milhares de cores e sabores.

Deixando a brincadeira de lado, existe um motivo bem lógico e estratégico por trás disso. E se você é músico ou já pelo menos tentou se aventurar a aprender a tocar um instrumento musical sabe do que eu estou falando.


No site "Papo de Homem" o blogueiro Allan Zaarour explica de forma bem simples e clara como as combinações de acordes e escalas tem poder sobre a nossa interpretação musical.


Isso abre um rumo de infinitas combinações que transcende a linguagem onde apenas a combinação de sons são capazes de contar histórias.


Esses últimos anos (no Brasil pelo menos) eu senti um movimento muito forte anti-complexidade, onde não só a informação mais rasa entregue de badeja é mais consumida, apreciada e compartilhada mas a mais completa é discriminada como arrogante, subjetiva demais e até anti-ética. E esse movimento é refletido diretamente nas músicas.


Isso não é um tópico feito para discriminar qualquer estilo musical, pelo contrário, eu sinto que muitas pessoas poderiam estar sentindo o prazer de perceber e entender a subversão desses acordes com letras propositalmente desconexas nas músicas favoritas e estão não fazem nem ideia... Deu pra entender? Se não tudo bem, eu vim preparado com uns exemplos no bolso:

Começando com FosterThePeople que usa acordes alegres e dançantes combinados com uma harmonia bem agradável pra falar de massacres e tiroteios nas escolas na música "Pumped up Kiks".


É uma ótima música pra animar uma festa, e agora é também um jeito de quebrar o gelo de forma bem reflexiva.



Também posso citar aqui Mastodon com o clássico "Blood and Thunder" que é um metalzaço bem agressivo e até superficial, mas se trata na verdade sobre o Capitão Ahab (personagem do livro Moby Dick) e sua obsessão pela caça. Se usar a imaginação, da até pra visualizar, durante uma passagem da música, os trovões desmoronando numa tempestade orquestrados pela bateria.


Que tal daquela vez que o Creedence fez um arranjo incrível na música "I Put a Spell on You" da maravilhosa Nina Simone.


Essa não é exatamente alegre, mas você tem que concordar que os longos solos de guitarra e a voz de John Fogerty despertam uma vontade selvagem de montar em uma moto e encarar as estradas em busca de aventura! Pois então... a letra fala sobre ciúmes doentio que descreveria muito bem o livro de terror "Misery" de Stephen King que inspirou o filme "Louca Obsessão".


Existem inúmeros exemplos legais de subversão em qualquer estilo e isso adiciona uma profundidade extra na hora de consumir a nossa dose diária de música.


Você já percebeu alguma subversão musical similar as citadas acima? Manda aí e bora fazer uma lista!

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