O Rei dos filmes de Monstros
- César Froes

- 15 de jun. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jun. de 2019

Vamos falar de Godzilla 2 Rei dos Monstros (sem spoilers).
Porque depois de Vingadores Ultimato, esse foi o filme que eu estava mais ansioso pra assistir no cinema.
Agora o "Monsterverse", que consiste de Godzilla (2014) e Kong Skull island (2017), chega no terceiro filme e minhas expectativas foram deliciosamente preenchidas com o que eu esperava e um pouco mais.
Inclusive, eu não sei exatamente o que as pessoas normalmente procuram em um filme de monstro/tragédia.
Pra mim foi como pedir um sorvete de flocos com cobertura de caramelo e chocolate derretido. Conheço muito bem e acho delicioso toda vez que experimento.
Acho que ao longo dos anos eu aprendi a ignorar o que escuto ou leio nos comentários sobre filmes de monstros por que as conclusões são sempre as mesmas.
E em Godzilla 2 não foi diferente. A maior crítica dessa categoria são os personagens humanos. Que cá entre nós, precisam de bastante tempo e um jogo de cintura forte da direção pra existir qualquer empatia ou preocupação real com eles.
São muitos personagens novos enquanto alguns vieram do primeiro filme. E por ser um filme de tragédia, é natural esperar que muitos vão morrer, então naturalmente o diretor não foi muito longe pra fazer a platéia se apegar demais.
A grande jogada é que eles não existem para carregar a necessidade de empatia com o espectador, e sim vieram como Easter-eggs para os fãs da Toho!

O próprio personagem Dr. Ichiro Serizawa (Ken Watanabe) encarna o Daisuke Serizawa do filme original de 1954 em várias cenas, sendo pivotal para o desenvolvimento da história e ao mesmo tempo um easter-egg para os fanáticos.
Eu não vou detalhar mais por que parte da diversão é descobrir todas as referências. E sem dúvidas você vai ser inundado por elas.
Sem deixar de lado, a trilha sonora de Bear McCreary usa composições do original de Godzilla (1954), de Godzilla (2014) e Destroy All Monsters (1968) também é incrível e vai te atropelar na sala de cinema.
Mas nesse filme, as estrelas são os monstros!
E que estrelas! Logo no trailer podemos ver Rodan, Gidorah e Mothra como um sonho (ou pesadelo) realizado.
Outros também aparecem nesse filme e alguns são somente citados. Mas definem muito bem o universo cinematográfico (similar ao da Marvel) onde vários outros gigantes também vivem e interagem.
Pra quem quer ver pancadaria, é praticamente uma noite de UFC na categoria dos 100 metros de altura.
Alguns pontos fracos? Sim. Justificáveis? Com certeza!

Seguindo a tendência dos seus antecessores do Monsterverse e da Toho, esse filme faz vários paralelos de tragédias naturais e a presença dos gigantes. Porém essa característica é muito mais pronunciada e talvez óbvia no filme de 2014, com maremotos, terremotos e incêndios.
Em Godzilla 2 temos erupções vulcânicas, tempestades tropicais e mais terremotos, porém elas trazem a sensação que estão sendo mais usadas para mascarar possíveis defeitos nas lutas entre os gigantes.
Como comparação, o filme Shin Godzilla (2016) da Toho foca precisamente no ponto de vista humano com suas redes sociais e burocracias governamentais. O desespero é tão real que é possível imaginar acontecendo em qualquer lugar do mundo.

Enquanto que em Godzilla 2 eles só precisam de um plano de evacuação e pronto, problema resolvido... uns helicópteros, tanques e outras aeronaves em ação e estão todos a salvo.
É claro que não dá pra ser perfeito com tempo e recursos limitados, mas sabemos com certeza que o Monsterverse vai ter mais filmes pra acertar nos pontos onde a trilogia errou. Inclusive na bilheteria que até o momento dessa resenha, atingiu pouco mais de 50% do seu orçamento nos EUA.



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