Prosperidade e a corrupção do caráter
- César Froes

- 19 de mar. de 2019
- 4 min de leitura
Atualizado: 30 de mar. de 2019
Você provavelmente já ouviu falar na frase "O poder corrompe!" usada pra tentar explicar algum político que no auge do poder mudou de posicionamento ou algum artista independente que fez aquela parceria com algum "arqui-inimigo" depois de ficar famoso.
Essa frase é de John Dalberg Acton, um historiador britânico que aponta o que aparentemente é óbvio aos exemplos que são jogados na nossa mesa de jantar dia após dia.
Recentemente eu escrevi sobre o Reggie e fiquei pensativo sobre o assunto. Ele não foi corrompido pelo poder, pelo contrário, a cada dia ele se tornava mais focado no trabalho e em se comunicar melhor com a comunidade de fãs pelo mundo todo.
Então John Acton estava errado? Fomos enganados pelo Barão?
Não fomos enganados, existe muito mais nessa famosa frase e o contexto em que ele escreveu envolvia liberalismo, totalitarismo e muita reflexão política que precisa ser lembrada constantemente. E mesmo assim ela não é uma verdade absoluta.
E então, como num passe de mágica! O Youtube me recomendou um vídeo!
Sim caro leitor, o Google escuta nossas conversas constantemente e vai sempre recomendar um vídeo interessante e bem dinâmico sobre o assunto e mais uma vez ele acertou em cheio!
CurtRichy é um Youtuber conhecido por discutir alguns tópicos de tabu social num ponto de vista bem diferente. E nesse vídeo ele conta como foi a experiencia de se tornar um adulto atraente e como isso trouxe a tona o pior da personalidade dele.
Nem é preciso dizer o quanto eu recomendo os outros vídeos dele. Se você tem um tempo livre e as aulas inglês em dia, é claro...
Para todos os outros, aí vai um resumo:
Ele não foi corrompido pelo poder do status. Ele só ficou mais a vontade de ser quem ele é.
O poder não corrompe, ele revela e os exemplos que ele usou são excelentes pra entender esse ponto de vista.
Quando jovem ele era o clássico esteriótipo de negro nerd com medo de conversar com mulheres. E claramente o levou a adotar certos comportamentos. Como por exemplo: ser educado e não objetificar mulheres ao seu redor.
Porém se sentiu mais a vontade socialmente, ele não precisava de emular esses comportamentos, e foi justamente isso que o poder do status trouxe a ele. Agora as pessoas iam até ele por que se sentiam atraídas pela beleza exterior, não era mais necessário fingir uma educação pra manter essas pessoas por perto, elas faziam por conta própria.
Então hoje ele teme que de alguma forma isso pode afetar a vida dele agora, sendo atraente e famoso no Youtube e causar de alguma forma o declínio da sua carreira, das suas amizades e de qualquer futuro relacionamento amoroso.
Claro, quando ele cita o autor Anton Chekhov e o famoso "Chekhov's gun" ele deixa subjetivo que essas histórias são de um personagem inventado, e não da vida dele de fato.
"Agora eu preciso de ter medo de ter algum poder e me descobrir um completo degenerado ou desinteressante?"
Eu fiz essa pergunta logo depois de ver o vídeo e tentei buscar momentos na minha vida em que eu estava confortável financeiramente e psicologicamente pra descobrir. E sim! Eu sou um BABACA TOTAL em um assunto bem específico! Se você está por dentro do mundo automotivo na internet, já ouviu falar do Alcemar e sua incessante busca pela humilhação do carro alheio.
Eu recebia os vídeos do Alcemar em todas minhas redes sociais e de praticamente todos os meus amigos por bastante tempo.
"OLHA O CARA TE IMITANDO BROTHER!"
E realmente... Eu era (sou) bem pior! A forma como que Alcemar descarta marcas e modelos de carros e os associa com motoristas é um pouco diferente da forma que eu mesmo faço, mas as semelhanças são inegáveis.
De fato, eu não preciso de gritar numa roda de conversa pra dizer o quanto lixo é um modelo\marca, eu faço isso com uma tranquilidade assustadora.
E se caso eu tenha sido um 'Alcemar' contigo em algum outro assunto, pode me falar! Por favor, eu não quero ser um babaca total pra sempre!
Esse assunto de auto-conhecimento é sempre tópico nas conversas que tenho com meu amigo Raphael Giffoni (músico, engenheiro e budista). E ele citou um parágrafo muito interessante que serve perfeitamente no tópico que eu abordei.
"Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado por nenhum dos oito ventos: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. Ele não se inflama com a prosperidade nem se desespera com o declínio. Os deuses celestes seguramente protegerão aquele que não se curva diante dos oito ventos"
Até onde eu pude pesquisar, o texto veio de uma carta de Buda para um discípulo, mas ela bem que podia ter sido para o jovem CurtRichy ou para o Barão John Acton, por que pra mim caiu como uma luva!
Eu sei que das diversas vezes que tive contato com budismo, eu fiquei surpreso e senti um alívio no conhecimento deles.
Talvez essa seja a receita para o sucesso? Vou ver se a atual Rainha do entretenimento e Embaixadora do sucesso e prosperidade tem algo a dizer...





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