Um novo Gênese da era clássica dos animes
- César Froes

- 30 de ago. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 1 de set. de 2019




Neon Genesis Evangelion está no Netflix e o que isso significa?
Pra mim é literalmente uma máquina do tempo!
Uma viagem de 20 e poucos minutos pra uma época em que eu jogava Worms no computador, comprava mangás na banca de revista em frente a escola e matava aulas de educação física pra jogar RPG com meu amigo.
Nessa época, eu tinha certeza absoluta que estava preparado pra assistir o mais recente sucesso importado do Japão e exibido no canal Locomotion. Era minha "responsabilidade" como fã de animação japonesa comparecer à TV no horário nobre e descobrir por que os gringos estão perdendo a cabeça por um desenho animado de robôs coloridos brigando com monstros gigantes.
Eu definitivamente não estava preparado.
Nos primeiros episódios, eu fui arrastado pela onda de hype com o design cyberpunk, uma história simples mas cheia de referencias religiosas e filosóficas e personagens que eu poderia me identificar (assim como Shinji Ikari, eu estava nos meus 14 anos).
Convencido a virar um fã, eu fui atropelado pela "sessão de psicanálise" do personagem principal. Isso aliados ao ritmo que parece ser orquestrado como uma ópera e a questionamentos que fariam Nietzsche, Freud e Schopenhauer saltarem da cadeira como se fosse uma partida clássica de futebol.
Meu conhecimento de filosofia era nulo e nessa época eu tive meu primeiro contato com a depressão. Felizmente, eu só iria sentir o "segundo impacto" muitos anos depois.
Apesar disso, acho fascinante como um anime de ficção-cientifica com robôs coloridos e adolescentes chatos de 26 apenas episódios tenham tanto poder.
Um ponto forte do anime é a expressão da sexualidade de Shinji Ikari. Num outro artigo, eu citei como que "fan-service" pode ser uma ferramenta pra atrair os tarados de plantão e manipular a audiência usando a tensão sexual dos personagens como pivô narrativo.
Nesse sentido, estar na pele de Shinji (que é uma bomba hormonal) é uma montanha-russa. Especialmente se você for além do anime e assistir o filme "The End of Evangelion" que eu particularmente considero obrigatório.
Acredito que seja uma surpresa para muitos (inclusive de entendidos no universo dos Animes) que Evangelion é a franquia de anime mais bem sucedida financeiramente da história.
O sucesso de Evangelion nos anos 90 literalmente salvou a industria da animação e desencadeou uma repaginação radical na narrativa nas histórias com robôs. Algo que só foi alcançado anteriormente pela franquia 'Mobile Suit Gundam' que trouxe histórias de guerra com toda a trama política e econômica no formato animado.
No Youtube, o canal Red Bard fez um vídeo questionando se é possível viver somente com produtos da saga.
Esse mercado agressivo e diversificado de produtos baseados no anime foi essencial para perpetuar o status monstruoso que Evangelion carrega a 24 anos!
O estúdio Gainax, criador dessa obra-prima hoje carrega no currículo outros favoritos obrigatórios como Kare Kano, Tengen Toppa Gurren Lagann, FLCL, Panty&Stocking entre outros.
Esse titã agora está disponível na Netflix pra ser apreciado (com algumas mudanças do original) e você pode tirar suas próprias conclusões. Se você vai assistir pela primeira vez, quem sabe esse pode ser um ponto de partida para entender os milhares de clichês dos animes que copiam descaradamente ou homenageiam o design, personagens e história fascinante do evangelho do novo Gênese.
E antes que eu me esqueça. Aqui vai uma arte do Lushsux.



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